Há penedos que impedem o desenvolvimento de uma região e a felicidade de uma sociedade
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Um espaço fictício que não esconde as sensações bebidas por quem vive numa terra onde os penedos, metaforicamente falando, impedem o desenvovimento, o progresso de uma terra e a felicidade genuína das gentes locais.
Parecia que o dia nunca mais terminava. O resultado eleitoral nunca mais chegava. O povo, desejoso da libertação, ansiava por aquele dia. O voto de cada um era, verdadeiramente, o contributo individual para uma sociedade mais justa e, consequentemente, mais verdadeira.Os "donos da terra", como ironicamente eram apelidados, receavam que o seu único prestígio fosse levado pelo rio da democracia verdaeira. Desta vez, os cidadãos não tiveram medo. Aperceberam-se que o bem da comunidade deve ter a primazia sobre o bem individual. Após décadas do mesmo regime concelhio, a água da democraci trazia a esperança de uma melhor qualidade de vida para a sociedade local. O 31 de Março daquele domingo eleitoral, trazia a esperança . O Abril de outros tempos estava prestes a chegar. Na alma de cada cidadão, pairava ainda uma neblina de dúvida.
Este episódio chegara aos ouvidos de Florinda, esposa de Artur, através do Igrejas, o sacristão. Este percorria de lés alés a aldeia, ávido de saber novas. A mercearia era a redacção onde se organizavam as notícias, havendo sempre uma ajudinha da D. Carlota, na divulgação das mesmas. Muitos dos clientes que angariava, era fruto da curiosidade popular: "saber da vilha alheia". Por isso, esta era de facto uma "notícia" bombástica: "O filho do Sr. Luís foge com a filha da Sra. Professora". - Um rapariga tão prendada, filha de D. Rute, fugir com aquele pelintra! - Exclamava D. Carlota. - É uma vergonha! - Concordava o Igrejas. - Mas culpado não é a menina! O culpado é aquele desgraçado que pensa por estudar na grande cidade pode fazer o que lhe apetece! - Acrescentou D. Miquinhas, a empregada do Sr. Abade - Para tomarem esta atitude é porque lá tinham as suas razões!- Contrariou Florinda. D. Miquinha com um ar reprovativo replicou: - Não me diga que ainda os e...
As mimosas, este ano, parece que floriram mais cedo. A anunciação da Primavera profetiza uma nova terra com novos homens e novas mulheres. Na escola, Luís, de olhos brilhantes, bebe as palavras meigas e ternas da professora Rute. Artur espera o filho para o levar pelos montes e vales da aldeia. A mãe natureza é a outra docente que complementa a formação paterna e escolar. O saber de experiência feita torna o cidadão mais completos e mais capaz de enfrentar um mundo cada vez mais inquieto e sem valores. Humanidade, espiritualidade e pragmatismo da vida, eis a triologia na formação de um rebento. Eram estes os vectores que ele pretendia para o seu petiz, ainda tão frágil mas com necessidade de criar raizes fortes de modo a que no futuro não caia à primeira ventania.
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