domingo, 14 de abril de 2013

31 DE MARÇO, UMA ESPERANÇA PARA UM NOVO ABRIL LOCAL

Parecia que o dia nunca mais terminava. O resultado eleitoral nunca mais chegava. O povo, desejoso da libertação, ansiava por aquele dia. O voto de cada um era, verdadeiramente, o contributo individual para uma sociedade mais justa  e, consequentemente, mais verdadeira.Os "donos da terra", como ironicamente eram apelidados, receavam que o seu único prestígio fosse levado pelo rio da democracia verdaeira. Desta vez, os cidadãos não tiveram medo. Aperceberam-se que o bem da comunidade deve ter a primazia sobre o bem individual. Após décadas do mesmo regime concelhio, a água da democraci trazia a esperança de uma melhor qualidade de vida para a sociedade local. O 31 de Março daquele domingo eleitoral, trazia a esperança . O Abril de outros tempos estava prestes a chegar. Na alma de cada cidadão, pairava ainda uma neblina de dúvida.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O SR. REITOR DA FREGUESIA

Na freguesia vizinha, paróquia do sr. reitor, toda a comunidade o admirava. A sua humanidade transparecia num sorriso acolhedor e numa relação de estima com todos, independentemente da sua origem familiar ou dos escudos que escondiam debaixo do colchão. Pelas ruas da sua paróquia, havia sempre um "bom dia" ao Sr. Horácio, que não acreditava em Deus.Um "até logo" à D. Lucinda que não faltava a uma missa do sr. reitor. Um "viva o Sporting" ao sr. Manuel para quem a instituição era uma religião.Na taberna, acompanhava os seus paroquianos numa "Sagres", pretexto para concretizar com os seus paroquianos a verdadeira mensagem evangélica. A mensagem de amor era partilhada na igreja e vivida nas ruas, tabernas e lares. O sr Reitor, por onde passava, levava sempre uma palavra de esperança. O sr. Reitor era pois a materialização da mensagem evangélica. Todos o admiravam e respeitavam: pobres, ricos, crianças,adultos, cristãos e ateus.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

OUTONO, UMA ESTAÇÃO DE EMOÇÕES

O mês  de outubro aproximava-se. Com ele, vislumbrava-se já o quadro negro, o giz branco, a secretária da senhora professora e o Cristo crucificado. As férias estavam prestes a terminar. A rotina da escola era quase uma realidade para o irmão mais novo de Artur, o Pedrito. A passagem pela tasca do "Ti Zé" para comer o paposeco com molho das iscas, era um dos lados bons desta estação. 
Enquanto a escola não começava, era o tempo da "caça" aos tralhões que nesta época abundavam nas serras e vales da sua terra. As oliveiras e árvores de frutos recebiam estas pequenas aves que nesta época davam mais vida a uma terra com cada vez menos vidas. No dia anterior, tinham apanhado a "aúde" com a qual enganariam as ingénuas pequenas aves.
Ainda o sol pestanejava, já  Pedro anda de casa em casa a chamar os colegas para o grande dia de emoções. Chegados às encostas,   o terreno era armadilhado com os "costilos" ou costelos. Manualmente, levantam um pouco a terra e colocam a armadilha a observar a árvore de fruto que o tralhão visitava frequentemente. Lá em baixo, um brilho enganador ludribiava a pequena ave. O voo da morte aterrava sobre aquele petsico enganador. Ouvia-se um pequeno som trágico. 
Após algum tempo de espera, com grande emoção, o bando de crianças fazia as diversas "rondas" pelas armadilhas. A emoção da nova era exteriorizada com a expressão "mais um!. A pobre ave morrera para alegrar aqueles petizes! O momento de glória ocorria quando entravam na povoação com os "tralhões" atados uns aos outros, formando, deste modo, um cordão que colocavam ao peito. Talvez um acto um pouco cruel, todavia eram momentos de camaradagem e emoção que não se encontravamem mais lado algum.