Em busca das pérolas negras I



O sol de Inverno levantava-se lentamente no horizonte. O frio invadia a encosta. O rancho de homens e mulheres fazia os preparativos em casa do Sr. Alípio para dar início a mais um ano de colheita da azeitona. Os burros eram prendados com os toldes que acolheriam a azeitona, torturada pelas varas dos homens que arriscavam a vida lá no alto das oliveiras que nesta região estavam mais próximas do criador.. Os petizes ficavam a dormir. Chegariam mais tarde, quando o sol esquentasse, e permitisse brincar à "apanha dos berlindes negros". O mata bicho, um copo de aguardente e um naco de pão serviam de estimulante para a dura tarefa que os esperava. As mulheres bebiam o seu café feito à lareira numas malgas para onde farelavam o pão cozido já há algum tempo. Os cestos para a apanha da azeitona iam de mão dada com as mulheres e moças solteiras. Para estas, poderia ser a oportunidade de arranjar marido, no meio das cantorias que serviam de bálsamo para ajudar a fazer esquecer às mãos gélidas, resultado dos beijos repenicados, com os dedos frígidos, nas pérolas negras.

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